segunda-feira, 25 de maio de 2009

Introdução à Língua Yorùbá

ILÉ ÀSE ÌJOBÁ T’ ÒSÙMÀRÈ-YEWÀ
(EGBÉ IPAMÓ ÈDÈ YORÙBÁ NI BASÌÍ)
BÀBÁLÒRÌSÀ: ÀYDÁN BÒRÒJY. OLÙKÓ: GENIVALDO TAÍWÒ.
AKÉKÒ: ____________________________________________ÒJÓ:___________

ÈKÓ KÍNÍ – PRIMEIRA LIÇÃO

I. ÌKÀWÉ, ÌWÉ-KÍKO ÀTI GÌRÁMÀ – LEITURA, ESCRITA E GRAMÁTICA


O ato de comunicação
EMISSOR (Comunicador/codificador)
LINGUAGEM (conjunto de símbolos).
FALA (realização concreta da língua).
CÓDIGO (Língua): conjunto de regras combinadas e articuladas entre si.
CANAL (Contacto, meio/veículo).
MENSAGEM (Informação/comunicação).
CONTEXTO (Referentes, circunstâncias, ambientação).
RECEPTOR (Recebedor/decodificador).


1. A COMUNICAÇÃO ORAL E ESCRITA
1.1 Características da língua oral e da língua escrita
1.1.1 Língua oral/falada
§ O emissor e o receptor conhecem bem a situação e as circunstâncias que os rodeiam;
§ A mensagem é transmitida de forma imediata;
§ A mensagem é breve;
§ É permitido o emprego de elementos prosódicos, como entonação, pausa, ritmo e gestos, que enfatizam o significado dos vocábulos e das frases;
§ É admitido o emprego de construções simples, com ênfase para orações coordenadas e a presença de frases incompletas.

1.1.2 Língua escrita
§ O receptor não conhece de forma direta a situação do emissor e o contexto da mensagem;
§ A mensagem é transmitida de forma não imediata;
§ A mensagem é mais longa do que na língua falada;
§ Não é possível a utilização de elementos prosódicos (pronúncia regular e fiel das palavras, com a devida acentuação, entonação, pausa, ritmo, gestos etc). O emprego dos sinais de pontuação tenta reconstruir alguns desses elementos;
§ Exigem-se construções mais complexas, mais elaboradas, com ênfase para orações subordinadas, e a ordenação da mensagem mais planejada.

2. LETRA E FONEMA
Não se pode confundir os conceitos de letra e fonema. O fonema é uma unidade sonora; a letra é um sinal gráfico ou unidade gráfica. O fonema pertence ao mundo dos sons ou língua falada e a letra pertence ao mundo da escrita ou língua escrita.


2.1 Letras e fonemas do português
2.1.1 Vogais
a - /á/: casa, faca, mata, etc .
a - /ã/: maçã, campo, antes, chão, etc.
e - /ê/: medo, bebê, cedo, etc.
e - /e/: tempo, gente, cimento, etc.
e - /é/: teto, alcatéia , lerdo, etc.
i - /i/: difícil, aqui, sagüi etc.
i - /i/: pingo, timbre, timbal, etc.
o - /ô/: dor, vôo, estou, avô, etc.
ó - /ó/:dó, cipó, porta, horta, etc.
u - /u/: tatu, urubu, último, chuchu, etc.
u - /u/: tumba, umbu, fundo, bunda, etc.

2.1.2 Consoantes

b - /bê/: barco, beber, bule, etc.
c - /quê/: cada, coca, coco, cocô, cozinha, etc.
d - /dê/: dente, dado, doce, etc.
f - /fê/: fato, família, faca, etc.
g - /guê/: goteira, ganso, gato, foguete, etc.
g - /jê/: geléia, gente, gesto, girafa, giz, gíria, girassol, etc.
j - /jê/: jeito, jenipapo, janeiro, jeito, jurubeba, etc.
l - /lê/: lado, leite, liturgia, etc.
lh - /lhê/: galho, alho, atalho, etc.
m - /mê/: mala, mulher, mata, moda, etc.
n - /nê/: nota, nada, noite, não, etc.
nh - /nhê/: sonho, ninho, senhor, pinheiro, etc.
p - /pê/: pico, poeta, pipa, piada, etc.
q /quê/: quadro, quando, que, toques, cocada, coca-cola, coice, cada, etc.
rr - /rrê/: carro, guerra, carroça, garrancho, carranca, etc., etc.
r - /rê/: cara, araponga, areia, arenito, roda, etc.
s - /cê/: seda, sala, sopa, sábio, etc.
c - /cê/: cebola, cedilha, cio, cipó, coice, cidade, cedo, etc.
ss - /cê/: assim, assanhada, assado, sossego, etc.
ç - /cê/: sumiço, laço, lição, licença, etc.
sc - /cê/: piscina, adolescente, nascer, discurso, etc.
xc - /cê/: exceção, excelente, excêntrico, exceto, etc.
x - /cê/: auxílio, aproximar, expressão, extenso, , explicar, extra, etc.
ch - /xê/: chuva, charuto, cheque, chuchu, cochicho, cocho, etc.
t - /tê/: televisão, teto, tatu, teu, etc.
v - /vê/: leve, vaso, voz, você etc.
x - /xê/: xale, xadrez, xepa, etc.
z - /zê/: zabelê, zabumba, zebra, zoeira, zero, zona, zumbido, etc.


3. ÈDÈ YORÙBÁ: idioma Iorubá
3.1 Vogais


a - /á/: bàbá, ayaba, àga, àti, àse, abl.
e - /ê/: ìpadé, ewé, fèrèsè, abl.
e - /é/: efun, ìlèkùn, ode, ilè, abl.
i - /i/: Ifé, ìyawó, ìwé, ìlà, abl.
o - /ô/: owo, ìyámórò, màrìwò, awo, abl.
o - /ó/: aso, òbúko, orúko, òjó, abl.
u - /u/: dúpé, dudu, osù, Èsù, abl.




3.2 Consoantes

b /bí/: bàbá, bèru, bí, abl.
d /dí/: odara, daradara, dòbálé, abl.
f /fí/: fé, fénukó, funfun, abl.
g /guí/: gàrí, giri, gàáfàrá, abl.
*gb /Bi/: gbogbo, gbàdúrà, Elegbara, abl.
h /rrí/: adahun, hamunyia, hen, abl.
j /djí/: Yemojá, júbà, jo, ìjoba, abl.
k /qui/: kan, korin, kékeré, ku, abl.
l /li/: léwà, lórí, lo, aláye, abl.
m /mi/: màlu, méjì, mo, mo, abl.
n /ní/: náà, Nàná, ní, bòókini, abl.
p /pi/puê/: pa, pè, pèlépèlé, púpò, abl.
r /ri/: ràbàtà, àróbò, Òşùmàrè, rí, abl.
ş /xí/: àşe, Èşù, Òşòósí, se, abl.
s /si/: salo, sáré, sè, sí, sòrò, abl.
t /ti/: Taíwò, tèmi, tètè, tútù, abl.
w /uuí/: wa, wàjí, wè, wúrà, abl.
y /íí/: yàgò, yèyé, ìyá, Oya, abl.



4. FONEMA E SÍLABA
4.1 Fonema

Fonema é a menor unidade sonora de uma língua que não contém significado, isoladamente, mas estabelece distinção de significado entre as palavras. No Yorùbá, essa distinção é exemplificada em palavras como: tabí (ou)/tóbi (ser grande; grande); há (trancar)/ho(descascar); yarí (pentear o cabelo)/yaró (retaliar, vingar); gbé (cavar)/gbo (escutar, ouvir), etc.
São sete os fonemas vocálicos orais, exemplificados nos seguintes vocábulos: bàbá (pai), ilé (casa), ilè (chão). ojú (olho), oba (rei), orí (cabeça), tútù (frio, verde; molhado; calmo, manso), etc.
A nasalização da vogal é realizada através da letra N como nestas palavras: eran (carne), yen (aquele/aquela). Omokunrin (filho), àwon (eles/elas), ibùsùn (cama) etc.
Os sons consonantais são iguais ou semelhantes ao do português como aqueles representados pelos seguintes grafemas: B, D, F, L, M, N e T. Não existem os sons representados pelas letras V e Z, como em nosso idioma, porque esses fonemas não existem no sistema lingüístico yorubano. As demais consoantes apresentam pequenas diferenças fonéticas, como é o caso do dígrafo GB, cuja pronúncia apresenta um som explosivo, semelhante ao som do B, só que produzido na boca e com os lábios moles. O G fica mudo como o H em vocábulos do português: homem, hoje, habitação, haver, galho, Bahia, ninho, companhia, horta etc.
O som representado pelo dígrafo GB não existe em nossa língua. Atualmente, em algumas regiões da Nigéria, a pronúncia do B e do GB são semelhantes e, em outras, não há essa variação lingüística.
Agora revisaremos aquelas consoantes que possuem sons diferentes do português:



G
Não possui o som de “j”, como nas palavras: gelo, gente, girafa, giz etc. É um som produzido na garganta, como nas palavras: guerra, garapa, garfo, gato, etc. Exemplos: gògó (garganta), giri (corajosamente), gùsù (sul), etc.
H
Não é etimológico como no português. É pronunciado como /rr/, suave. Atualmente, em algumas regiões da Nigéria houve um processo de variação lingüística em função da interferência de línguas em contato como o inglês e o árabe e de outras línguas africanas sobre o Yorùbá urbano, fazendo com que essa pronúncia desaparecesse no meio de certas palavras, permanecendo-a em outras. Exemplos: ho (fugir de medo), húkó (tossir), hamunyia (ritmo de tambor), adahun (ritmo de tambor), hó yá-yá (redemoinho), etc.
J
A pronúncia é de um “dj” como nas palavras Djalma, adjetivo, adjunto, adjacente, jeans (do inglês). Exemplos: èkéjì, ààjá, jò, júbà, joko, etc.
K
A pronúncia é como a de “C” diante de palavras como: casa, coice, coisa; cupido, cupim, etc. Ou então como nas palavras: queijo, quilo, quitanda, quase, quota, tranqüilo, queixa, etc. Exemplos: kèkèrè, kãlé, kan, ki, etc.
P
Possui o mesmo som do português, diferindo apenas quando estiver diante de “E” ou “E”. Nesse caso a pronúncia será intercalada pelo som do U. Assim: dúpé (dupué), pèlé (puelé), pè (puê), etc.
R
É pronunciado como o som do R de nossa língua entre vogais, cujo som é semelhante ao das seguintes palavras: areia, arado, caro, arenito, araponga, etc. Exemplos: ràbàtà (elástico, gigantesco), rí (ver, enxergar), rù (suportar, carregar), etc.
S
É pronunciado como “ç” ou “ss” do português, mesmo estando entre vogais. Exemplos: sí (para), se (cozer), sísùn (sono), sìn (acompanhar, conduzir), etc.
Ş
É pronunciado como se fosse “x” ou “ch” do português. Exemplos: şire, òrìşà, Òşún, Òşòósí, Èşù, Şàngó, şe, àşe, etc.
W
É pronunciado como se fosse um “u” repetido ou prolongado. Exemplos: wató (babar), wé (enrolar), wé (mimar), wìliki (peludo), wòdú (escurecido), wòlóju (seduzir), wùlò (útil), waji (pó azul) etc.
Y
É pronunciado como um “i” repetido ou prolongado. Exemplos: yàgan (árido), yèkan (parente), yípadà (virar), yòwí (cochilar), yún (grávida), etc.

Observações fonológicas importantes:
1. A vogal nasal ON é escrita depois das consoantes: B (ibon), F (Ifòn), GB (sùgbón), M (Yemonja), P (pondan), W (àwon). E a vogal nasal AN depois das outras consoantes: D (Ìbàdàn), G (ganran), H (Han), J (janjan), K (okan), L (laná), N (ànamó), R (eràn), S (sànju), S (Sàngó), T (ìtàn), Y (yánnu).
2. Nas palavras terminadas por vogal nasal, e que antes dela venha um M ou um N, elimina-se o N final das vogais nasais AN ou ON na língua escrita; retomando porém, o som nasal que o N representava quando expressa na língua oral. Exemplos: òna (onan), iná (inan), omo (omon), ìmò (ìmon), Nàná (Nanan), Yemoja (Yemonja), etc. Devemos pronunciar essas palavras como se tivesse um N na sílaba final de cada palavra, como está grafada a pronúncia acima nos parênteses. Todas as palavras que utilizam as sílabas NA e MO terão um som nasal, mesmo intervocálicas, como Yemoja.

4.2 Sílaba
É formada por um ou mais fonemas pronunciados de uma só vez. Como no português, a vogal sozinha pode formar sílaba ou acompanhada de uma consoante. Não existem ditongos na língua yorùbá e todas as palavras desse idioma são terminadas em vogais orais ou nasais, jamais por uma consoante. Exemplos: okùnrin, adíè, ìyálóde, láilái,Taíwò etc.

5. ALFABETO YORÙBÁ:
A(á), B(bí), D(di), E(ê), E(é), F(fi), G(gui), GB(Bí), H(rrí), I(í), J(djí), K(quí), L(lí), M(mí), N(ní), O(ô), O(ó), P(pí), R(rí), S(sí), Ş(xi), T(tí), U(uí), W(uuí), Y(íí).
No alfabeto yorùbá, os fonemas: /cê/, /quê/ e /xi/ são representados pelas consoantes gráficas S, K e Ş, diferindo do sistema lingüístico gráfico do português.
A ausência das letras V e Z no alfabeto yorùbá é conseqüência da inexistência desses fonemas no sistema lingüístico desse idioma.

II. FONÉTICA E FONOLOGIA

1. TONALIZAÇÃO
A Fonética e a Fonologia possuem o mesmo objeto de estudo que são os sons da fala. Enquanto a Fonética se preocupa em estudar os sons da fala, descrevendo os aspectos físicos da linguagem (aparelho fonador, modos de articulação, regiões articulatórias, etc.), a Fonologia estuda esses mesmos sons sob a ótica distintiva da inter-relação significativa na formação de sílabas, morfemas e palavras de uma determinada língua.
Na primeira parte dessa lição, vimos os aspectos fonéticos das vogais e consoantes do português e do iorubá. Agora vamos estudar um aspecto fonológico da língua iorubá, chamado de tonalização.
O idioma iorubá pertence à subfamília KWA da família lingüística Níger-Congo, segundo a classificação estabelecida por J. Greenberg[1] e estima-se que o número de falantes atinge cerca de 25 milhões de pessoas na Nigéria, Togo, Benin e Serra Leoa.
As características aglutinantes e polissintéticas do idioma yorubá fez com que seus falantes nativos lançassem mão de mecanismos prosódicos para constituição e ampliação de seu próprio léxico através da mudança de tons. Como quase todos os idiomas africanos, ele é uma língua tonal, embora haja variações de inflexão entre os próprios iorubás de Oyo, Egba, Ife e Ijebu. Essas variações acontecem apenas em nível de entonação, não alterando o vocabulário e a sintaxe do idioma, assim como os nossos “sotaques” e variações lingüísticas de norte a sul e de leste a oeste em nosso país.
Esses tons apresentam três tipos de inflexão de voz quando pronunciamos qualquer palavra. O tom alto corresponde ao som da nota musical MI, marcado pela escrita com o sinal diacrítico agudo ( ´ ); o tom baixo corresponde ao som da nota musical DÓ e é marcado pelo sinal diacrítico grave ( ` ); já o tom médio corresponde à nota musical RÉ, cuja ausência de sinal diacrítico o caracteriza. Em yorùbá essa tonalização é assim classificada:
Tom alto: mi – àmi ohùn òkè – sinal diacrítico agudo ( ´ );
Tom baixo: dó – àmi ohùn ìsàlè – sinal diacrítico grave ( ` );
Tom médio: re – àmi ohùn – ausência de sinal diacrítico ( ).
Exemplos:
PALAVRAS
NOTAS MUSICAIS
SIGNIFICADOS
ÀBO
DÓ – MI
Retorno, volta; chegado
ÃBO
MI – MI
Metade, meio.


Retornar, chegar; vir.


Ferver; escaldar.

MI
Libertar-se; escapar de alguém.
BO

Adorar; cultuar.

MI
Alimentar, manter, suportar.

MI
Cair sobre alguém; libertar-se.
ENI
RÉ – RÉ
Pronome interrogativo: quem.
ENÍ
RE – MI
Esteira; capacho.
ÌLU
DÓ – RÉ
Tambor.
ÌLÚ
DÓ – MI
Terra, cidade, país, nação.
ODÓ
RÉ – MI
Pilão.
ODÒ
RÉ – DÓ
Rio.
ODO
RÉ – RÉ
Zero.
OKÒ
RÉ – DÓ
Veículo.
ÒKÒ
DÓ – DÓ
Espada.
OKO
RÉ – RÉ
Marido.
OKÓ
RÉ – MI
Enxada.
IGBÁ
RÉ – MI
Cabaça.
ÌGBÀ
DÓ – DÓ
Tempo.
ÌGBÁ
DÓ – MI
Tipo de fruta; acácia.
IGBÀ
RÉ – DO
Corda, peia.

MI
Gerar, nascer.


Empurrar violentamente; vomitar
BI
RE
Perguntar ou indagar de alguém

O domínio desses tons é indispensável na expressão oral e escrita da língua iorubá. A falta de sinal diacrítico na escrita e a mudança equivocada de tom modifica completamente o significado de uma mesma palavra. Os tons dos vocábulos monossilábicos só são percebidos no contexto fono-morfo-sintático e semântico da comunicação oral e escrita do idioma.
Existe, ainda, em iorubá , o sinal diacrítico til (~) – àmi ìfàgún – cuja função é a de duplicar ou prolongar a vogal sobre a qual ele esteja. Exemplos: náà = nã (o, a, os, as); béè ní = be ní (sim); ìbaaka = ìbãka (mulo, macho); òólu = õlu (martelo, macete); pooyi = põyi (girar, rodopiar); lèékan = lekan(já); etc. Só que tal recurso gráfico dificulta a pronúncia dos tons, preferindo-se a repetição da letra.
O processo de nasalização do iorubá é realizado com a utilização da letra N depois das vogais orais, assim: AN, EN, IN, ON, UN. Nesse caso, o N dos finais de sílaba é índice de nasalização e não a consoante do início ou interior de muitos vocábulos iorubanos.
Há ainda a utilização de sinais gráficos para identificar o timbre aberto ou fechado das vogais E ou O. Um ponto grafado sob essas vogais indica que o timbre é aberto. Quando não há esse ponto debaixo delas é porque o timbre é fechado. Exemplos: ode (caçador); ode (do lado de fora da casa; ao relento), òrìsà (orixá), òna (estrada, caminho), etc.
Quando o ponto é grafado sob o Ş, transforma a pronúncia dele num /x/ ou /ch/. Assim: Èşù (Exu), àşe (axé), şire (xirê), etc.


2. ÀWON ÀMÌ ÀPEJÚWE – SINAIS DE PONTUAÇÃO

Há um conjunto de sinais na língua escrita chamados de sinais de pontuação. Esses sinais de pontuação foram inventados pela humanidade ao longo dos séculos, numa tentativa de reproduzir as características da língua falada como entonação, pausa, ritmo, gestos, etc. O emprego desses sinais dirigem o significado do texto escrito ou reproduzem as entonações necessárias para compreensão de um texto lido oralmente.
Os sinais de pontuação em yorùbá têm as mesmas funções do português. Vejamos os mais empregados no idioma nagô.
§ O ponto ( . ) que em yorùbá é chamado de àmì ìdádúro (sinal de parada ou detenção);
§ Os dois pontos ( : ) será àmì ìdádúro méjì (sinal com parada dupla);
§ A vírgula ( , ) é àmì ìdádúro díè (sinal para deter um pouco);
§ A interrogação ( ? ) chama-se àmì ìbéèrè (sinal de pergunta); e
§ A admiração/exclamação ( ! ) é chamada de àmì yàlenu (sinal de admiração).

III. ISO YORÙBÁ – CONVERSAÇÃO IORUBÁ
1. JÉ K´Á SO YORÙBÁ – VAMOS FALAR YORÙBÁ.
1.1 Àwon Ìkíni (Saudações).
Antes de aprender as saudações, é bom memorizar algumas palavras que entram na formação destes cumprimentos:
ÀÁRÒ = forma de OWORO (manhã, aurora, alvorada);
ÒSÁN = tarde; dia; ÌRÓLÉ = noite, serão;
ÀÁLÉ = noite, noitada; ÌGBÀ = tempo, período;
KU = forma de apresentação do verbo Kí (saudar, cumprimentar);
DI = até; ÒLA = (amanhã).

KU ÀÁRO (cumprimento pela manhã). Depois de elidido transforma-se em KÀÁRO e significa “Bom dia!” Porém, se a pessoa que está cumprimentando deve mostrar respeito pela cumprimentada, ela deve dizer E KÀÁRO (Enyin = vós, vocês) – “Eu vos dou bom dia!”

Os dias são divididos em quatro períodos para os cumprimentos em yorùbá:
§ das 5:00 até às 11:59 a.m: (E) kàáro! – Bom dia!
§ das 12:00 até às 4:00 p.m: (E) káàsán! – Boa tarde!
§ das 4:00 até às 7:00 p.m: (E) kùròlé! – Boa tardezinha!
§ das 19:00 até às 5:00 : (E) káàle! – Boa noite! - chegada.
Obs.: na partida, quando não vai encontrar-se com a pessoa deve usar a saudação: Ó DÁÀRO (até de manhã) ou Ó DÀBÒ (Adeus!, tchau!).


1.2 Àwon Ki (cumprimentos/saudações)
§ (E) KÁÀBO: sejais bem-vindos!
§ O DIGBÀ: até logo (um momento)!
§ GÀÁFÁRÀ: licença!
§ GÀÁFÁRÀ GBÒJÈGÉ: licença concedida!
§ JOWO!: por favor!
§ MÁ BINU!: desculpe!
§ MO DÚPÉ / O SE PÚPÒ: obrigado!
§ KI NÍ ORÚKO RÈ?: qual é o seu nome?
§ KI NÍ ORÚKO ÒRÌSÀ RÈ?: qual é o nome de seu Orixá?
§ ÒSÀGIYÁN NÍ: é Oxaguiá
§ ORÚKO MI NÍ, OBALADÉ: meu nome é Obaladé.
§ MO JÉ OMO BASÌÍ: eu sou filho do Brasil
§ MO NGBÉ NI ÒNÀ GBÒÒRÒ ITAJUÍPE, NÓMBÀ 1289-ÀDÚGBÒ SANTO ANTÔNIO, NI ÌLÚ ITABUNA: eu estou morando na Avenida Itajuípe, n.º 1289, no Bairro Santo Antônio em Itabuna.
§ BÁWO NÍ IDÒWÚ?: como está Idòwú?
§ KÒ BURÚ: mais ou menos.
§ E JÒWÓ, FÚN MI NÍ OMI DÍÈ: por favor, dê-me um copo d´água.
§ MO YÓ PÚPÒ: eu estou satisfeito.
§ ÀLÀÁFÍÀ NÍ, MO DÙPÉ: está em paz/está bem, obrigado.
§ SE ÀLÀÁFÍÀ NÍ?; você está bem? Vai bem?
§ BÀBÁ MI, SÚRE FÚN MI: meu pai, sua bênção.
§ OLÓRUN SÚRE FÚN O: Deus lhe abençoe.
§ NIBO NÍ O NGBÉ?: onde você mora?
§ MO NGBÉ NÍ ITABUNA: eu estou morando em Itabuna.
§ Ó DI ÒLA NI ÀÁRÒ!: até amanhã de manhã!
§ O DI ÒSÈ TO MBÒ!: até a semana que vem!
§ E KÚ ÌYÈDÚN: parabéns pelo seu aniversário!
§ ODUN ORÒ ÒRÌSÀ MÉLÓ LO NÍ?: quantos anos de iniciado você tem?
§ ÈMI NÍ ODUN MÉJÌ ORÒ ÒRÌSÀ: eu tenho dois anos de iniciado.
§ KÍKÍ: é o ato de cumprimentar humildemente.
§ KÍKÍ NI OLÓRUN: humildemente invoca a Deus.
§ MO LÁÀLAFÍÀ!: eu estou bem.
§ SE DÁA-DÁA NÍ?: Tudo bom?/Tudo bem?
§ DÁA-DÁA NÍ GBOGBO: está tudo bem.
§ GÀÁFÁRÀ KÒ GBÒJÈGÉ: não concedeu licença.
§ PARÍ ÒSÉ DÁA-DÁA!? Bom fim de semana!


2. NI KÍLÁÀSÌ (NA CLASSE):
Apeere (Exemplo):
Olúfémi: ki ní yí? (O que é isso?)
Folárìn: Ìwé kíkà ní (É um livro.)

ÀWON ISE SÍSE – EXERCÍCIOS:
Aponte um objeto na classe e pergunte ao seu colega o que é.
ÁWON ÒRÒ POTOGI (VOCABULÁRIO):
Pénsùlù (lápis), tábìlì (mesa), àga (cadeira), ilé-eko (escola), ìwé kíkà (livro), ìlèkùn (porta), sóòkì (apagador), gègé/kálámù/ohun ìkòwé (caneta), àpò (bolsa, sacola), ohun ìpàwéré (borracha), ìwé atumo èdè (dicionário), àwòran (quadro, pintura), patakó (quadro de escrever), máàpù (mapa), fèrèsé (janela), ìwé (papel), enùnù (corretivo), ení (esteira), sálubàta (sandália), apo-ìwé (pasta), èrò gbóhùn-gbóhùn (rádio), abl .
EXPRESSÕES QUE VOCÊS PODERÃO USAR NA CLASSE
Sé ó yé yín? (Você compreendeu? – para muitas pessoas ou para uma pessoa jovem).
Sé ó yé e? (Você compreendeu? – para uma pessoa adulta ou para uma pessoa idosa).
Béè ní, ó yé mi (Sim, eu compreendi).
Béè kò ní, yé mi (Não, eu não compreendi).
Ó tì, kò yé mi (Não, eu não compreendi).
N kò mò (Eu não sei).
Jòwó, tún nso (Por favor, repita – para uma pessoa ou pessoa jovem).
E jòwó, tún nso (Por favor, repita – para muitas pessoas ou para uma pessoa idosa).
Báwo ní a se nso ... ní yorùbá? (Como nós podemos dizer.... em iorubá?
Si ìwé yín (Abra seu livro – para uma pessoa ou para um jovem).
Dáhùn (Responda). E dáhùn (Responda – para idoso ou no plural).
E so ó ní èdè yorùbá (Falem em iorubá).
E fun mi ní isé-ilé yin (Dê-me o seu endereço de trabalho).
Ki ní ìtumò...? (O que significa...?)


3. ÀWON ÌBÀ ÒRÌSÀ: saudações aos Orixás.
Èsù yè, alaróyè!, Ògún yè, pàtàkì orí Òrìsà!,
Òkè àró, Ode k´òkè màa ayò!, Ewé ó! Ewé àsà!,
Ìrokò, igi orò! Ìrokò!, Atótó, Omolú a jí bèrù sapada!, Sálùbá Nàná Burúkú!,
Àróbò bo yìí!, Ka wòó, Kabíyèsí!, Èèpàa hey! Odò ìyá/Oya mesan orun!, Rírò,
Yewà! Òrìsà ìràwò!, Obà si!Èkétà aya Sàngó!, Rora yèyé o! Ó fí de ri omon!, Lògún o akofa!, Lóòsì!, Èérú ìyá mi! Odò ìyá!, Ibéjì, ibéjì l´ayò!, Èpàà bàbá Òrìsànlá òkè nínú ´awon gbogbo òrìsà! Èèpà bàbá!

ÈMI JÉ IRE-L´AYÒ NÍTORÍ NÍ ÀWON ÒRÌSÀ (EU SOU FELIZ PORQUE TENHO/CULTUO ORIXÁS).
4. ÀWON ÌSE SISE FÚN ILÉ (EXERCÍCIOS PARA CASA):

1. Escreva entre as barras como é feita a pronúncia das vogais em iorubá. Depois escreva também exemplos de palavras tiradas dessa lição.
A: / / Àwon Àpeere (Exemplos): _____________________________________
________________________________________________________________

E: / / Àwon Àpeere (Exemplos): _____________________________________
________________________________________________________________
.
E: / / Àwon Àpeere (Exemplos): _____________________________________
________________________________________________________________
I: / / Àwon Àpeere (Exemplos): _____________________________________
________________________________________________________________

O: / / Àwon Àpeere (Exemplos): _____________________________________
________________________________________________________________
.
O: / / Àwon Àpeere (Exemplos): _____________________________________
________________________________________________________________

U: / / Àwon Àpeere (Exemplos): _____________________________________
________________________________________________________________

2. Como se pronunciam essas consoantes em ioruba? Escreva a pronúncia delas entre as barras seguidas de exemplos:
G: / / Àwon Àpeere (Exemplos): _____________________________________
________________________________________________________________

J: / / Àwon Àpeere (Exemplos): _____________________________________
________________________________________________________________

.S: / / Àwon Àpeere (Exemplos): _____________________________________
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GB: / / Àwon Àpeere (Exemplos): ____________________________________
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H: / / Àwon Àpeere (Exemplos): ____________________________________
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ISÉ DÀRA! (BOM TRABALHO!)


ÌPARÍ (FIM)


* g mudo; b explosivo e flácido, produzido na boca.
[1] GREENBERG, J. The languagens of África. Haia, Morton, 1963.

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